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a24

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

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"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

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15.05.16, a24

 

(…) Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.

(…) Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. (…)

Bernardo Soares

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07.05.16, a24

 

"Manual de civilidade para meninas"

07.05.16, a24

Não digais. «A minha cona.» Dizei: «O meu coração.»
Não digais: «Tenho vontade de foder.» Dizei: «Sinto-me nervosa.»
Não digais: «Vim-me como uma louca.» Dizei: «Sinto-me um pouco cansada.»
Não digais: «Vou marturbar-me.» Dizei: «Volto já.»
Não digais: «Quando eu tiver pintelhos no cu.» Dizei: «Quando eu for crescida.»
Não digais: «Gosto mais da língua do que da pissa.» Dizei: «Só gosto de prazeres delicados.»
Não digais: «Entre refeições só bebo esporra.» Dizei: «Tenho uma dieta especial.»
Não digais: «Os romances honestos chateiam-me.» Dizei: «Gostaria de algo interessante para ler.»
Não digais: «Ela vem-se como uma égua a mijar.» Dizei: «É uma exaltada.»
Não digais: «Quando se lhe mostra uma pissa, fica logo zangada.» Dizei «É uma original.»
Não digais: «É uma rapariga que se masturba até desfalecer.» Dizei: «É uma sentimental.»
Não digais: «É a maior puta da terra.» Dizei: «É a melhor menina do mundo.»
Não digais: «Vi-a foder pelos dois lados.» Dizei: «É uma eclética.»
Não digais: «Deixa-se enrabar por todos quanto lhe façam minete.» Dizei: «É um pouco namoradeira»
Não digais: «A pissa dele é grande demais para a minha boca.» Dizei: «Sinto-me uma criança, quando falo com ele.»
Não digais: «É uma fressureira endiabrada.» Dizei: «Não é nada namoradeira.»
Evitai comparações temerárias. Não digais: «Dura como uma pissa, redondo como um colhão, molhado como a minha racha, salgado como a esporra, não maior que o meu botãozinho», e outras expressões que não são admitidas pelo dicionário da Academia.”
-Pierre Louys,