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a24

a24

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

...

vês como fico pequena quando escrevo para ti? 
é por isso que eu nunca poderia ser poeta. 
o poeta se engrandece perante a ausência, como se a ausência fosse o seu altar, e ele ficasse maior que a palavra. no meu caso, não, a ausência me deixa submersa, sem acesso a mim.

este é o meu conflito: quando estás, não existo, ignorada. quando não estás, me desconheço, ignorante. 
eu só sou na tua presença. 
e só me tenho na tua ausência. Agora, eu sei. 
sou apenas um nome. 
um nome que não se acende senão em tua boca. (…)

nessa espera, aprendi a gostar de ter saudade. 
recordo os versos do poeta que diziam “eu vim ao mundo para ter saudade”. 
como se apenas pela ausência eu me povoasse interiormente. 
seguindo o exemplo dessas casas que só se sentem quando estão vazias. 
como esta casa que agora habito.

Mia